Coelho em pele de lobo.
+

O chão em que piso parece-me ser feito de laminas afiadas. Dói por os pés no chão. Quero flutuar delicadamente, como um amigo imaginario. Quero não existir nesta realidade, como o fantasma que sou. Estou, sem estar; sou, sem ser; existo, sem existir.

+

Estou perdido. O tempo passou tão rápido, que não tive o suficiente para crescer. Cada dia é um novo golpe que me derruba, rasteira da vida que insisto em pensar que não é para mim. A responsabilidade. Sinto que eu não tenho raizes, não pertenço; mas aos 25, e na situação em que me encontro, é como se eu estivesse flutuando muito, muito alto e alguém colocasse âncoras em minhas pernas. Estou despencando em desespero.

NEXT »
THEME ©